Seletividade alimentar exige acompanhamento e acolhimento para não gerar problemas de saúde no futuro
- forumfdc
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Esse comportamento alimentar não se restringe a crianças e autistas, e isso reforça a importância do cuidado.
Por Victoria Marques
Seletividade alimentar acontece quando aquela pessoa tem muita dificuldade com um determinados alimentos ou grupos de alimentos. É muito comum entre crianças de 2 a 5 anos, mas tem pessoas que levam essa condição para a fase adulta, e não necessariamente são apenas pessoas neurodivergentes.
Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Pediatria de uma pesquisa de 2020 da editora Abril, a dificuldade alimentar (DA) das crianças começa a partir de 1 a 2 anos de idade em 36% dos casos, em segundo lugar a faixa etária de 2 a 3 anos (26%) e 7 a 11 meses (15%).
Ana Maria da Silva Mello conta como é lidar com a seletividade do seu filho Gustavo. Atualmente, o garoto tem 22 anos e melhorou muito a alimentação, mas sua mãe conta que foi uma trajetória difícil. Aos 9 anos, Ana descobriu que seu filho tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) Nível 1 de suporte e logo notaram a seletividade alimentar: “O macarrão, ele não tolerava, era colocar na boca, era jogar para fora. Hoje ele já se alimenta com macarrão, não tolerava a gelatina, coisas moles. Hoje ele já come uma gelatina, ele vê que tem um sabor melhor. Agora ele se alimenta melhor, ele se arrisca mais”.
Ela compartilha que o processo foi muito difícil: “Ele entrou em anemia. Quase perdi meu filho, não gosto nem de lembrar. Mas eu tenho muita paciência. conversei com ele. Você vai conseguir passar tranquilidade para a criança. Busque sempre ajuda profissional. Se você não acertou em um, vai em outro. Tem vários.”
Uma nova lei sancionada no ano passado ampliou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista que visa garantir nutrição adequada e terapia nutricional para essa população.
Segundo a Rasbran (Revista da Associação Brasileira de Nutrição) aponta que 53,4% de crianças e adolescentes autistas tem têm seletividade alimentar. A pesquisa também revelou que 84,9% dos entrevistados têm preferência por algum alimento específico. 48% dos participantes possuem resistência para experimentar novos alimentos, 46% das crianças não permaneciam sentadas à mesa até o final das refeições e 54,2% preferiam alimentos com consistência “crocante”.
A nutróloga Aline Rodrigues Zanetta explica que a seletividade não afeta apenas autistas, qualquer pessoa pode desenvolver esse comportamento alimentar e não se limita apenas a crianças: “Algumas coisas que é importante a gente reforçar sobre isso é que não é frescura, né? Não é falta da de vontade, porque muitas vezes as pessoas elas têm até vontade mesmo de melhorar a alimentação, experimentar determinadas coisas, mas acaba que o corpo, a mente te trava”.
A diferença do adulto para a criança, é que os mais velhos geralmente conseguem disfarçar melhor, e acabam deixando essa questão de lado por considerar ser apenas um “paladar infantil”. O processo de introdução alimentar começa aos 6 meses de vida, e é importante tratar do assunto de maneira natural e positiva, através de brinquedos, desenhos animados e etc.
“Eu entendo perfeitamente muitas vezes o que os pais passam com a criança, eles ficam desesperados, porque eles querem que a criança coma. Eles querem ver aquela criança saudável, mas eu falo sempre o forçar é pior”, pontua a nutróloga, que explica que obrigar alguém a comer determinados alimentos pode levar ao desenvolvimento da seletividade alimentar.
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