Exposição na FIESP revela as conexões invisíveis do cérebro humano
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Idealizada pelo neurocientista Miguel Nicolelis, a mostra na Avenida Paulista utiliza instalações imersivas para questionar o individualismo e provar, através da tecnologia, que a conexão humana é biológica.
Por Elder Oliveira
Em meio ao fluxo frenético da Avenida Paulista, onde milhares de pessoas cruzam seus caminhos sem se tocar, o Centro Cultural Fiesp propõe uma pausa para uma pergunta fundamental: o que, afinal, nos une? A resposta, segundo a exposição homônima idealizada pelo renomado neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, está dentro de nossas cabeças.
A mostra "O que nos une" é uma jornada sensorial que mescla arte digital, cenografia imersiva e conceitos da neurobiologia. Ao entrar na galeria, o visitante é confrontado com espelhos infinitos e luzes neon que simulam a atividade neural, criando um ambiente que serve como um "roteiro lógico" sobre nossa origem e destino.
Para Diego Corrado, advogado que visitou a exposição, a experiência vai além do visual; é um estímulo intelectual. "Eu acho que essa exposição funciona muito com o cérebro, a gente faz pensar em muitas coisas, essas escritas nas paredes... achei bem interessante para complementar nosso passeio", afirma. Ele destaca ainda a riqueza cultural da capital paulista, onde é possível passar o dia inteiro consumindo arte de alto nível gratuitamente, algo que a mostra da Fiesp exemplifica bem.
O ponto alto da curadoria é a materialização do conceito de "BrainNet", a capacidade dos cérebros humanos de se sincronizarem para realizar tarefas colaborativas. Isso é demonstrado em uma instalação interativa onde a biologia comanda a tecnologia.
Visitantes são convidados a colocar os dedos em sensores que captam seus batimentos cardíacos. Inicialmente, as luzes da sala pulsam de forma caótica, cada uma seguindo o ritmo de um indivíduo. Paulo Vitor de Jesus, empresário de Curitiba que passava as férias em São Paulo, descreveu o fascínio com o resultado do experimento: "São três pessoas que colocam o dedo e, através do batimento cardíaco, as luzes batem de forma diferente. Com o passar do tempo, as três pessoas entram em sincronia".
Essa unificação visual dos ritmos biológicos serve como uma poderosa metáfora para a empatia e a cooperação, pilares que, segundo Nicolelis, permitiram a evolução da nossa espécie.
A Central de Notícias da Rádio Vila Alpina é uma iniciativa do Projeto “Ponto de Cultura”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

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